Novo Papel do bibliotecário e suas conquistas
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Novo Papel do bibliotecário e suas conquistas
Qui, 28 de Julho de 2005 00:00

Vera L. Stefanov
Presidente do SinBiesp

Quando pensamos na história da Biblioteconomia no Brasil nos deparamos com uma quase epopéia de acontecimentos. Primeiro, as bibliotecas são confiadas às "socialaites" ou às "madames". Depois, houve uma preocupação para a criação de curso em nível universitário. Mas tudo isso demorou anos até chegar a um curso superior de 4 anos, como é atualmente. Hoje, vemos um leque de opções para pós graduações, especializações, mestrados, intercâmbio de profissionais entre países da Europa, EUA, Ásia, que ministram e fazem especializações.

A Biblioteconomia cresceu e muito. Sem dúvida, houve uma evolução expressiva e, com isso, a ampliação dos novos campos de atuação. Isso graças a uma constante busca pela atualização, à curiosidade em saber o quê, como e onde melhorar a operacionalização das técnicas de armazenagem e recuperação da informação.

Mas não foram só os procedimentos no trabalho que evoluíram. Também houve uma evolução, ainda que menor, no que diz respeito ao posicionamento diante das estruturas de trabalho. Algumas poucas gerações atrás ficavam à mercê dos empregadores, fossem eles da iniciativa pública ou privada, aceitando passivamente as negociações impostas. Hoje, temos inclusive contratos coletivos de trabalho, com negociações anuais lideradas pelo SinBiesp.

Com o desenvolvimento da sociedade, o deslanchar das ciências, das novas tecnologias, a mudança no comportamento consumista, a cultura em geral, tudo isso afetou sensivelmente o mundo das informações, como não poderia deixar ser. E o que fazer com essa quantidade inesgotável de informações? Mande para a biblioteca... Mande para o arquivo... - dizem os burocratas.

Assim começa naturalmente a descoberta do bibliotecário propriamente dito como um profissional da informação. Mesmo ele não sendo totalmente preparado para absorver essa diversidade de veículos de informação, além do livro e da revista, usa todo seu conhecimento de recuperação da informação e cria mecanismos que dão resultados. Belos e eficientes resultados. Muitos desses mecanismos acabaram por se transformar em normas. Quantas e quantas rotinas de sistemas foram criadas para atender a determinados tipos de armazenamento de informações por idéias e intervenções dos bibliotecários? Começa também nesse desenrolar o aparecimento dos CEDOCS, CDIS, DEDOC etc. São novos caminhos, novos espaços aparecendo, ainda no século passado.

Inicialmente o bibliotecário foi visto como uma elite. Depois, no serviço público, como um trabalhador não especializado, recebendo menos que outras profissões de nível superior. A atuação no trabalho mudou e muito, mas esse passado, infelizmente, tem até hoje seus reflexos. Porém, atualmente, o bibliotecário já é visto com outros olhos pela sociedade e pelo mercado de trabalho. O bibliotecário, que está constantemente se atualizando e informado sobre o que acontece ao seu redor, de uma forma geral, está preparado para atender não só a demanda pelo conhecimento no meio acadêmico e estudantil, como também para dar suporte ao trabalho de organizações não-governamentais, o chamado terceiro setor. E, mais do que isso, atuar também nas empresas, fornecendo os instrumentos para a inteligência empresarial. Enfim, tudo mudou na biblioteconomia. Não há dúvidas de que a informática influenciou nesse desenvolvimento. Mas a evolução da Biblioteconomia deve-se muito a esta geração intermediária, vamos dizer, que inventou, criou, experimentou e se deixou experimentar, todas as formas de organizar, armazenar e recuperar a informação. É essa geração de profissionais que teve que aprender na marra a ser líder, ser empreendedor, ser ousado, sem nunca ter sido preparado para isto. Foram décadas de atropelos e ainda não estamos totalmente livres.

Hoje, o bibliotecário tem à sua frente um amplo mercado de trabalho. Ele é procurado e reconhecido. Claro, ainda falta muito, a depuração está apenas no início. Mas já podemos afirmar que o profissional bibliotecário destes novos tempos está inserido nesta revolução tecnológica e social, que vem ocorrendo a cada dia.

O novo bibliotecário presta mais atenção no que o rodeia, inclusive na sua própria formação. Avalia melhor suas entidades, as pessoas que as integram, perguntam e propõem, analisam e julgam... O profissional de hoje tem ambições quanto à carreira e está mais atento politicamente. O elitismo ficou para trás, não está tendo mais lugar para o clientelismo e os conchavos. O lugar no mercado de trabalho vai mesmo ser ocupado por quem tem capacidade de trabalho e vontade de aprender sempre. O bibliotecário está mais politizado e também quer mudanças no país. Mudanças que certamente virão quando cada um estiver plenamente consciente de que, qualquer que seja o seu ambiente, também é um agente dessa evolução.

As novas gerações de bibliotecários podem mesmo ter certeza de que já crescemos muito, mas não devem nunca se acomodar. Precisam, também, ter em mente que a falta de ética para com os colegas de trabalho pode gerar vantagens temporárias, mas só a capacidade de trabalho e o conhecimento é que garantirão uma evolução constante na carreira.

O SinBiesp sente-se em parte também responsável por essas mudanças, uma vez que nos últimos anos - de forma contundente - se fez respeitar no que se refere ao mercado de trabalho. O que já conquistamos: a implantação de uma Convenção Coletiva de Trabalho jamais vista no país, que instituiu critérios e regulamentou um mínimo de salário para a categoria. As rescisões dos bibliotecários são conferidas por um organismo próprio, não está jogada aos "tigres" dos sindicatos preponderantes nem ao descaso das DRTs. Tem um sindicato próprio, de Bibliotecários. Estabeleceu uma tabela de honorários, como referência para aqueles que trabalham como autônomos, sem vínculo empregatício.

Além disso, o SinBiesp dá cobertura a todos que o procuram para orientação do sistema trabalhista em relação ao campo de trabalho. Foram tantas as ações, no dia-a-dia, para que o Bibliotecário ficasse cada vez mais respeitado e a profissão mais conhecida, desbravando assim o mercado de trabalho em tantas outras frentes, seja em documentação digital, conciliação e indexação de informações de meios eletrônicos e telecomunicação, seja em atividades culturais das mais diversas, seja até em terapias psicológicas com leituras. E quanto e quanto mais...

Hoje estamos aqui reunidos para debater sobre um assunto que afeta não só a nós bibliotecários, mas a todos os profissionais liberais que atuam num vasto mercado de trabalho e que é a máquina propulsora da sociedade.

O país passa por uma crise política e está sendo passado a limpo. Estamos realizando este evento em meio a ela. O Governo atual vem propondo mudanças em todos os segmentos da sociedade e, como não poderia deixar de ser, apresentou uma proposta sobre a reforma sindical. E essa proposta atinge diretamente as profissões liberais e as categorias diferenciadas.

Não podemos concordar que sejamos uma gota pendurada em uma central. Não queremos de forma alguma que o nosso mercado, nossa independência (e até sobrevivência) tenha que ficar subordinada àqueles que nada sabem sobre a nossa profissão e nosso mercado de trabalho. Não se pode pôr a perder tudo o que já enfrentamos para podermos ser respeitados diante de uma sociedade ainda provinciana, que não sabe valorizar a riqueza que é o trabalho de um especialista. Só quem sabe de nós somos nós mesmos. Não podemos aceitar as imposições e intromissões indevidas de uma Central Sindical, como previsto na REFORMA SINDICAL que o Congresso Nacional está analisando; é com muita luta e até sangue de muitos profissionais, por sua postura firme, que se conquista a valorização e o reconhecimento da sociedade. E apesar disso tudo, ainda estamos engatinhando para uma conscientização maior e ampla de nossos colegas, pois lamentavelmente, com a popularidade das faculdades que valorizam a quantidade e não a qualidade, há muitos jovens profissionais que não têm uma consciência de união de colegas para congregar uma força a seu favor.

Assim, dou início ao nosso debate, passando a palavra ao nosso advogado Delano Coimbra, que pela sua experiência com a nossa classe e com entidades de profissionais liberais, colocará os principais pontos da REFORMA SINDICAL, em especial aqueles que realmente nos atingem enquanto categoria profissional. E a minha esperança é que o debate de hoje nos indique o melhor caminho e faça com que os bibliotecários aqui presentes não se esqueçam de suas conquistas enquanto categoria, agindo, enfim sem passividade, para preservá-las e avançarmos ainda mais.

 

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