SinBiesp no III Encontro Nacional de Bibliotecários de Instituições Escolares
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SinBiesp no III Encontro Nacional de Bibliotecários de Instituições Escolares

Nós, bibliotecários e verdadeiros profissionais da informação nos encontramos face a ampliação do mercado de trabalho e consequentemente de inúmeras inovações tecnológicas. À elas soma-se a obrigatoriedade da biblioteca escolar, a ser gerenciada por profissionais especialmente treinados para esta importantíssima tarefa. Estamos cientes de que ela coroa nossos esforços e conquistas já alcançadas em outros segmentos que nos empregam como bibliotecas públicas, empresariais, de ONG´s e centros comunitários.

É como se toda a sociedade acordasse de um longo período de letargia no qual apenas a biblioteca, tradicionalmente isolada, fosse o celeiro de livros e documentos a serem consultados. E, sem dúvida, coube a nós bibliotecários papel relevante nesse processo, ainda que – não podemos negar - educadores, intelectuais, escritores e autoridades do setor – fizessem sua parte.

Se há motivos de comemoração, há também - e em proporções maiores - novos desafios a serem enfrentados por nós, como veremos.

Nos anos setenta, a informática, ainda sob o antiquado nome de “processamento de dados”, começou a ser introduzida na educação, começando com cursos técnicos. Acreditem ou não, ainda há empresas de médio e grande porte que possuem seu departamento de Processamento de Dados.

O volume e a complexidade dos dados a serem “tratados” exigiram tecnologias mais avançadas que propiciassem maior rapidez e competência neste ramo do conhecimento humano. Da simples automação chegamos rapidamente à Informática. Num curto período, evoluímos da visão técnica no tratamento da informação para uma visão científica e dinâmica. E isto exige profissionais de nível universitário, preparados não só para a manutenção de sistemas, mas para a pesquisa e o desenvolvimento dos mesmos.

Já nos anos oitenta, a informática se alastrou pelo mundo, tomou corpo e foi-se aperfeiçoando cada vez mais, até que, nos dias de hoje, o mundo não vive mais sem esta ferramenta. Ao contrário, incorporou-a de tal forma que a transformou em instrumento imprescindível.

E não há de parar por aí. Em sua infinita ansiedade, na incessante busca de métodos mais eficazes aplicáveis à produção material e intelectual, o homem faz nascerem tecnologias compatíveis com suas ambições. Animal racional, não fugiu dos desafios que a própria razão lhe impunha. Assim, depois de se usar as mais variadas nomenclaturas, desde o mero tratamento de dados, passando pela automação e pela informática, chegamos, finalmente à chamada Tecnologia da Informação.

A princípio, aquela velha automação foi usada pelas empresas para um acesso mais rápido aos dados em áreas como vendas e contabilidade. Mas seu constante aperfeiçoamento, que a fez evoluir para a Tecnologia da Informação, permitiu que abrangesse as mais diversas áreas.

Cada vez mais aperfeiçoada, ela contribui em todos os setores: da engenharia à medicina; das ciências contábeis às ciências sociais; da educação à administração... E ainda para pesquisas as mais sofisticadas como a arqueologia, por exemplo.

Como o “Rio de Heráclito” que nunca para, nunca é o mesmo, chegamos à Internet e à Era Digital.

Tantas mudanças tecnológicas obviamente ocasionaram alterações no nosso dia-a-dia. Desta forma, estamos vendo e vivendo, ao lado de enormes transformações econômicas e sociais, mudanças comportamentais e psicológicas decorrentes, inevitáveis para a convivência e a compreensão daquilo que muda no mundo da tecnologia. Agregada aos meios de comunicação não nos parece que tenha volta. As transformações ocorrerão inexoravelmente e num ritmo inimaginável.

A rapidez com que nos chegam hoje as informações do planeta fez com que surgissem novas modalidades de atividades profissionais e sociais. É o que tem ocorrido em nossa biblioteconomia. Surge a cada dia uma nova terminologia para postos de trabalho que tradicionalmente sempre foram ocupados por bibliotecários, o que impõe uma postura atenta por parte da nossa categoria, especialmente do órgão de fiscalização.

Cada vez mais a concepção das profissões tradicionais vem se transformando. Com o passar dos anos, a própria metodologia de nossa profissão, como de qualquer outra, vai tomando novos rumos, e exigindo adaptações adequadas.

O excesso de informações vindas de todos os lados, desde o rádio, a TV, os jornais, a internet... até os celulares, tudo acompanhado pela criação incessante de novas tecnologias, indica que corremos o risco de nos distanciarmos, de perdermos o fio da meada do que nos é essencial: a estrutura do conhecimento. É aqui, dentro deste emaranhado de transformações que a biblioteconomia deve dar sua principal contribuição. Aliás, ela já começa a dar sinais de sua necessária adequação. Se, lá nos distantes anos setenta, oitenta e mais recentemente noventa, apenas sabíamos que não precisávamos mais repetir manualmente as tais fichas catalográficas, que recuperavam a informação e ainda engatinhávamos rumo à informatização, sem saber claramente o ponto de chegada, hoje a situação é diversa.

O Bibliotecário, hoje, está caminhando para o que se chama, nos EUA, Competence of information” originário da expressão Information Literacy. É a interação do profissional da informação com os docentes e os discentes. Ele é um “teacher”, ou seja ele faz a interface entre a informação, filtrada, com os interessados nela, orienta e acompanha todo o processo de elaboração dos trabalhos. Ele ensina a aprender .Alfabetização da informação. Isto se aplicando em todos os segmentos da biblioteconomia não só na educação.

Partindo destas evidências e considerando as transformações no próprio comportamento da humanidade, vemos mais do que nunca a premência das diferentes classes sociais se organizarem cada vez mais. É apenas com a união de pessoas com os mesmos objetivos que seremos incluídos socialmente. Fundados no livre-arbítrio, podemos escolher o rumo que queremos dar às nossas vidas, mas não iremos vencer se não estivermos envolvidos em grupos com os quais nos identificamos e possamos determinar o que queremos e como queremos. Não há mais lugar nos dias de hoje para não se pensar coletivamente.

O país vive o ápice da democracia em toda a sua história, está com a economia equilibrada, com desenvolvimento acelerado, atingindo todas as áreas. Felizmente,  atingiu também a biblioteconomia, agora mais do que nunca, com a lei recém promulgada que obriga que se tenha biblioteca em escolas, com a presença do profissional.

Assim, o mercado de trabalho avançará, não tenhamos dúvida. Surgirão novos integrantes da profissão e o aumento do contingente nos fará chegar a patamares próximos dos de outras profissões mais conhecidas, consequentemente mais concorridas e reconhecidas. Uma profissão que, de certa forma, estava escondida e nos últimos anos está sendo resgatada por conta da tecnologia, inclusive por conta das novas modalidades profissionais e sociais.

Só para nos fixarmos num exemplo: Quantas são as ONGs que trabalham com livros e bibliotecas? Imaginem, dentro de pouco tempo teremos um arsenal de meios que substituirá o papel. Os e-books não estão mais batendo em nossa porta, já entraram. Isto é um caminho sem volta, pois temos que contar também com a crescente escassez do espaço físico e, principalmente, com a sustentabilidade, seja a ambiental, seja a dos mais diversos custos. O papel está caro, sua matéria prima é onerosa e compromete o meio ambiente.

Hoje temos bibliotecas de diversos tipos: em comunidades rurais e periféricas; em ônibus; em barcos, nos pontos mais remotos em todas as regiões de nosso país. O interesse pela leitura esta se abrindo a cada dia. Há sempre quem ame os livros e a leitura e que estimulem outros nesta direção.

Nunca tivemos, como ocorre agora, tantas ONGs, tantas iniciativas sociais em torno do nosso instrumento de trabalho, a biblioteca. A nova legislação – que exige biblioteca em toda escola - veio dar força para que o profissional também seja reconhecido e valorizado.

Mas, com isto tudo, ainda estamos atrasados no que se refere à nossa organização como elementos integrantes da sociedade. De maneira geral, o profissional ainda não aprendeu a se organizar, a ter iniciativas de grupo, a pensar coletivamente. É verdade que isto não se adquire de um dia para outro, ainda mais numa profissão que normalmente se exerce de forma solitária. Muito amadurecimento será preciso, como também o avanço na qualidade do ensino, em docentes mais bem preparados e que exercitem a coletividade, que saibam passar informações aos discentes, desde o ensino fundamental até a universidade. Não é mais possível fazer com que dependamos dos outros para obtermos o que necessitamos. Não é mais possível deixar que terceiros resolvam nossa situação.

Mesmo quando as escolas preparam seus alunos para lidar com as novas tecnologias, nem sempre os preparam para enfrentar a vida, a respeitar e assumir compromissos com entidades comunitárias. A impressão que fica é que há uma síndrome do não comprometimento com o projeto coletivo.

É nesta tecla que nós - mais experientes – insistimos, pois sabemos que a carência de jovens profissionais engajados com suas entidades de classe poderá colocar em risco todo um trabalho de vidas inteiras dedicadas ao bem estar de cada um dos profissionais.

Digo isto porque a biblioteconomia sofre e muito deste mal. Poucos sabem que o mercado nos dias atuais valoriza quem está socialmente engajado, de uma forma ou de outra, com suas entidades de classe, ao contrário do que se poderia pensar.

Claro que há ainda um pensamento retrógrado e provinciano por parte do patronato, ou seja, quem nos emprega, mas é justamente através dos diálogos em negociações coletivas que está ocorrendo uma mudança no comportamento dos que nos empregam. Tanto do setor público como do privado.

No início das nossas atividades no SinBiesp, os representantes da classe patronal (como por exemplo Fiesp e Fecomercio), não havia a menor condição de diálogo. Hoje outras entidades patronais nos procuram para fechar acordos. E estão entendendo que é preciso ter seus profissionais enquadrados e engajados em sua entidade de classe, para justamente serem bem informados sobre a administração de suas contratações e não correrem o risco de sofrerem uma ação trabalhista.

Atualmente, muitos municípios que nem sequer sonhavam em ter biblioteca com profissional, hoje estão contratando este profissional. Alguns publicam editais para concursos, sem ter noção clara do que fazemos, achando muitas vezes que qualquer pessoa de nível médio vai atender sua necessidade. E quando recebemos denúncia no Sinbiesp e vamos averiguar, chegamos à conclusão de que os prefeitos e administradores em geral não têm idéia da existência do sindicato, nem tampouco de uma legislação que regulamenta a profissão.

Atribuo esta situação primeiramente, à falta de informação dos administradores que ainda estão verdes no que se refere à nossa profissão. Alguns nunca ouviram falar. Os motivos mais remotos podem ser encontrados na baixa qualidade da educação no país, na qual muito pouco, quase nada, se investe. Se este cidadão, que é administrador em qualquer tipo de empresa pública ou privada, tivesse tido uma formação educacional de qualidade, certamente as escolas que freqüentou possuiriam bibliotecas e profissionais adequados. E assim, com certeza ele saberia da existência da profissão e saberia como contratar.

Em segundo lugar, atribuo ao profissional a omissão de dizer, apenas dizer, a estes órgãos e a seus empregadores, o que é nossa profissão e a existência das entidades de classe. Com certeza, muitos irão se informar melhor.

Outra grande meta é a do estabelecimento de um piso salarial para a categoria regionalmente, para todas as localidades do país. Esta conquista, de pisos nacionais, só pode e deve se dar através da constituição de uma Federação Nacional de Bibliotecários, formada a partir dos sindicatos. Este é um dos principais objetivos que os sindicatos de bibliotecários pretendem atingir em breve, bem como outras questões cruciais ao exercício da biblioteconomia no país, que se fazem mais urgentes por conta da nova legislação. (Lei nº 12.244 de 24 de Maio 2010).

É com uma Federação Nacional de Bibliotecários, que faremos a coisa certa. Isto porque, onde não há sindicato, a Federação será a responsável pelas negociações locais, uma vez que somos um país de contrastes, em que a renda per capta, que se dá através do PIB regional, são dispares.

Devo dizer, todavia, que os problemas da biblioteconomia vão muito além do piso salarial, lembrando que ele é apenas um referencial genérico para o mercado e para os que ingressam na profissão. Ocorre ainda a desigualdade salarial com outras categorias, a ingerência de outros profissionais e pessoas leigas em nossos serviços, o assédio moral, os ambientes sutis, as demissões abruptas, inclusive por doenças e tantas outras situações que chegam até nós no SinBiesp.

O Brasil está começando nova arrancada rumo a um futuro mais justo, mais civilizado. E aqui torna-se verdadeiramente estrutural o valor do conhecimento, pois ainda há muitos jovens desinformados. Eles têm a liberdade de pensar, reivindicar, criticar. No entanto, não possuem informações suficientes para que possam fazê-lo com fundamentos e conhecimento. No que diz respeito à biblioteconomia, os recém–formados, quando entram para o serviço público, se isolam completamente, como se tivessem ingressado num mosteiro. As gerações mais antigas e que ainda permanecem em atividade, acabam influenciando os novos profissionais de que a legislação do funcionalismo público é diferente, que a empregabilidade do servidor público não é igual ao do empregado privado. É este um dos principais motivos para o afastamento deste jovem de sua entidade de classe e de sua verdadeira identidade profissional.  

A partir desse cenário, podemos dizer que os desafios atuais do profissional de biblioteconomia são os seguintes:

POLÍTICO - Procurar engajar-se em suas entidades de classe, para que não se perca o perfil profissional, valorizando e disseminando a profissão diante das mudanças radicais que o mundo vem sofrendo e que afetam principalmente nossa profissão, seja no cenário econômico, ambiental e tecnológico.

TÉCNICO E EDUCACIONAL - Buscar o constante aperfeiçoamento e especialização nos diversos nichos que a nossa profissão propicia. Não deixar de se inteirar, enquanto em atividade, nem de se informar, de obter conhecimento e de desenvolver cada vez mais o hábito da leitura. Da mesma forma, acompanhar as mudanças tecnológicas. Com a certeza de que tudo isso constituirá o nosso desafio daqui prá frente. Lembro que livro digital veio para ficar e que vai revolucionar a educação. Imagine que um aluno não levará mais em sua mochila aquele monte de livros, didáticos ou não, dos quais usará apenas cinco ou seis páginas de cada um por dia. Num simples aparelho de leitura digital, qualquer que seja ele, poderão estar todos os livros e muitos outros. Precisamos tirar o melhor das novas tecnologias e não lutar contra elas. Além disso, muitos outros formatos de suporte de informação diversos do papel terão que ser trabalhados biblioteconomicamente. Este será nosso grande trunfo. Mostrar aos leigos que é preciso filtrar e organizar a avalanche de informações que está a disposição de todos e que será a técnica bibliotecária que irá recuperar a informação, no suporte digital ou não.

SOCIAL – Engajar-se em trabalhos voluntários, seja em programas sociais ou corporativos. Ações desta natureza têm como objetivo zelar por comunidades, empregados e ambiente. As empresas investem e valorizam funcionários que se envolvem neste tipo de trabalho, pois isto pode melhorar sua imagem. A ação social por iniciativa do empregado é bem vista pelo mercado empregador, considerando que há falta de lideres, ou seja, pessoas que criam, participam e desenvolvem atividades para o bem de uma comunidade. Por isso é preciso aprender e habituar-se a pensar coletivamente, formação que muitas vezes nos falta, principalmente porque durante bom tempo fomos governados por ditaduras e pessoas autoritárias que estimularam o paternalismo.

Minha vivência junto ao SinBiesp e os desafios de consultora na área, ao longo destes anos, num país completamente cru para receber este tipo de prestação de serviços, é que me fizeram lutar cada vez mais para que a profissão encontrasse seus rumos. Talvez esta platéia não perceba o quanto temos influenciado a sociedade quanto à importância da biblioteconomia, com diversas ações, seja com artigos publicados em jornais de grande circulação, que chegaram a todas as instâncias de poder; que foram lidos e registrados nas mais diversas Câmaras Municipais de Vereadores, Assembléias Legislativas, Câmara Federal e Senado. Neste último, principalmente pela voz do Senador Cristovam Buarque, cuja bandeira é a educação.

Deste trabalho resultou posteriormente a lei que obriga as escolas a terem bibliotecas com bibliotecários. E obviamente com luta de tantos outros anônimos.

Além disso, constantemente, aqui no Estado de São Paulo, temos reivindicado junto ao governo a volta da integração do bibliotecário na secretaria da educação, cargo que foi extinto da mesma, lamentavelmente já no período democrático, contratações de bibliotecários e ajustes salariais em organismos educacionais recém criados, como as FATECs e ETECs. Todas estas informações e reivindicações foram divulgadas pela internet e imprensa escrita. Acrescento as inúmeras reuniões com representantes dos mais diversos ramos de atividade, que não conheciam nossas atividades. Além de este ano, conseguirmos, através do TRT, estender nosso dissídio aos auxiliares de biblioteca, documentalistas, arquivistas e cientistas da informação.

São quase cem ramos de atividades patronais, inclusive as das mantenedoras, que contatamos e nos reunimos em audiência nos Tribunais do Trabalho. Tudo isso se foi somando e multiplicando. E, se não sei se já atingi o ideal, tenho certeza que este envolvimento vem surtindo resultados, o que me dá muita satisfação. Uma enorme satisfação como a de, por exemplo, estar aqui, falando com meus colegas, no meu meio, transmitindo um pouco do pensamento que resulta em grande parte do trabalho e da experiência à frente de toda a dinâmica que caracteriza e enriquece nossa categoria bibliotecária, nosso estado e nosso país.

MUITO OBRIGADA.

 

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